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A difícil arte de ser funcionário público nos dias atuais


Não faz muito tempo que tornar-se um funcionário público era um feito digno de honra. Não era pra menos. Ser funcionário público não era uma tarefa das mais fáceis de ser alcançadas. Exigia-se de seus candidatos nada menos que algo próximo da “perfeição”. Cada candidato se preparava, no mínimo, de dois a três anos para se sentir confiante ao ponto de candidatar-se a um cargo no serviço público e, quem sabe, alcançar algum êxito em seu intento. As provas de conhecimento específico eram apenas o começo de uma longa lista de barreiras a serem superadas na avaliação de cada um, ainda tinham as provas de habilidade técnica e em alguns casos, não raros, havia uma rigorosa avaliação no que diz respeito à saúde de cada candidato.

Cada vaga era disputada não a tapa, mas através de conhecimento, capacidade, bom desempenho e disciplina. Tudo isso para garantir aos seus patrões (o povo) um serviço de excelência praticado por pessoas altamente qualificadas que se tornavam merecedoras de total confiança e admiração.

Depois de todos os testes e avaliações, o que sobrava era simplesmente o melhor do que se podia contratar e com a melhor capacidade de desenvolver as suas específicas funções. É claro que além desse grande atrativo de ser escolhido o melhor dentre os melhores havia a recompensa financeira como bons salários e prêmios que poderiam ser: Dias de folga, prêmios na participação de lucros da Estatal, Promoções que poderiam levar o funcionário a cargos de supervisão, gerenciamento ou direção. Em termos de carreira, a compensação financeira em muitos casos elevava os seus ganhos reais a quase ao dobro do seu salário inicial ao fim de sua carreira pública no início de sua aposentadoria. Tudo isso era incentivado através de grandes vantagens como forma compensatória. Existia o investimento em cursos que eram oferecidos gratuitamente com o firme propósito de requalificar e manter atualizada a mão de obra oferecida a população que no fim da estrada, eram os mais beneficiados.

Infelizmente nos últimos anos, podemos observar uma triste e cruel realidade que passa muito aquém daqueles bons e velhos tempos diante de nossos olhos. Com o avanço desenfreado de interesses “pessoais” por governantes inescrupulosos, começou a haver o declínio em investimentos na administração pública nos três pilares principais que são sustentáculos de uma sociedade: Educação, Saúde e Segurança, bem como em toda a estrutura que mantinha e que, mesmo precariamente, ainda mantém a máquina funcionando (o funcionalismo público). Existem algumas coisas que contribuem para a falência de qualquer setor público, mas o mais comum nos dias de hoje é a má administração do erário público (corrupção), e o descaso com as necessidades e ansiedades da população. Tais fatos tiram automaticamente os investimentos nesses setores onde o manto da impunidade é o maior incentivador de tais práticas. Muitos já me disseram que eu tenho mania de por a culpa de tudo na corrupção, mas há fortes indícios que são simplesmente incontestáveis e a falência do Estado Brasileiro é um fato. Em minha opinião “apenas o poder público tem a capacidade de destruir o poder público”.

Em meio a tudo isso fica o funcionalismo público. Os funcionários de hoje são meros espectadores em uma luta desigual entre os que governam e os que são governados e no meio disso tudo fica o funcionário público. Se me permitem quero fazer uma analogia bem peculiar ao a um dito popular “Na briga do rochedo contra a maré quem sofre é o marisco”. O funcionalismo público ao longo dos anos vem perdendo muito mais que o seu antigo “Glamour”, vem perdendo direitos. Defasagem salarial, retirada de direitos adquiridos, total ausência de incentivos e o que é pior, vem servindo de bode expiatório para os desmandos dos péssimos governos. Na maioria das repartições o que vemos são pessoas despreparadas ou incapazes de resolverem qualquer coisa inerente à função exercendo cargos de chefia não por capacidade e sim por indicação de algum “padrinho” influente, são os “funcionários contratados sem concurso público”. Pessoas despreparadas que usam de sua força de apadrinhamento para impor situações muitas vezes adversas ao bom funcionamento do setor o que acarreta, na maioria das vezes, além de prejuízo para o dinheiro público, um péssimo atendimento ao público que muitas das vezes não sabem desses meandros administrativos geralmente dizem: “essa raça de funcionário público tinha que acabar”.

Muita gente não sabe que para o serviço funcionar, até mesmo de forma precária, muitos funcionários são obrigados a trabalhar sem nenhum tipo de segurança pondo em risco a sua integridade física e mental. É comum ouvirmos a celebre frase desses “chefes despreparados”: Dá um jeitinho. A falta de investimentos em setores como a saúde tira dos funcionários o acesso a itens básicos de biossegurança como luvas, óculos e mascaras conhecidos pela sigla EPIs (Equipamento de Proteção Individual) e coitado daquele que tentar reclamar de seus direitos.

Felizmente ainda existem pessoas que se importam e lutam para tentar mudar essa triste realidade, há pessoas que não só denunciam como também “correm atrás” para que cessem esses desmandos e que a vida dos funcionários públicos se torne um pouco melhor. Comissões foram criadas para fiscalizar determinadas ações dos maus governantes e as atuações dessas comissões ainda são respeitadas em decorrência do amparo que elas recebem do Ministério Público. Também foram criadas Leis contra o assédio moral para barrar um pouco os desmandos dos pseudos e incompetentes “chefes”. Sindicatos se mobilizam para lutar por interesses da coletividade e que as leis sejam respeitadas e cumpridas. Não estamos de todo desamparados mais eu venho a público fazer um apelo para cada um de vocês que está começando, no meio da jornada ou, como eu, no fim da carreira pública: Não deixe as coisas continuarem piorando, não seja omisso, denuncie sempre que puder, busque os seus direitos, Nunca haja sozinho, de preferência sindicalize-se pois é a união de todos que nos dá a força. Tomando essas atitudes e seguindo por esse caminho, você estará contribuindo para que a nossa profissão volte a ter os seu glamour e que o Funcionário Público volte a ser no mínimo, respeitado.

Paulo A. Santos é funcionário da Prefeitura Municipal de São Gonçalo em fim de carreira após trinta e sete anos de serviços ao Município.

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