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Ocupação da Câmara e Prefeitura; arresto das contas... Um dia que já entrou para a história


A última sexta, 9 de dezembro de 2016, foi um dia que, definitivamente, entrou para a História do município e dos servidores. Trabalhadoras e trabalhadores das mais diversas áreas da administração pública gonçalense, da Educação, Saúde, Guarda Municipal, Fazenda, deram um exemplo de cidadania, união, organização e ativismo pelos seus direitos; vilipendiados, desrespeitados e negligenciados pelo prefeito e parlamentares.

O dia histórico começou cedo, às 9 da manhã, em ato de greve organizado pelo Sindspef-SG em protesto contra os atrasos de salários e a omissão dos vereadores em votar os vetos do prefeito aos PLs 63 e 64.

Os servidores se concentraram em frente ao Pronto Socorro Central (PSC), convocando os colegas das unidades que formam o complexo hospitalar Luiz Palmier. Aos poucos, os trabalhadores se deslocaram para a nova Câmara de Vereadores, onde seria feita solenidade de inauguração da Casa Legislativa que substituiu o antigo fórum da cidade.

Contrastando com o amarelo-pastel do prédio, dezenas de cartazes foram colados na fachada e laterais da nova Câmara, denunciando o atraso nos salários, as péssimas condições de trabalho do funcionalismo e o descaso da prefeitura com a população.

Assustados ou constrangidos, vereadores e convidados da cerimônia evitaram entrar pela porta da frente da Câmara, onde inicialmente estavam agrupados os servidores e concentrado o protesto, preferindo utilizar a porta lateral e secundária de frente à Praça Zé Garoto.

Munidos de panelas e apitos, bumbo e repenique, os servidores - que logo tiveram o reforço de populares - migram para a lateral e iniciam a pressão para serem recebidos pelos parlamentares. Funcionários da Câmara fecham os portões e impedem a entrada dos manifestantes que faziam bastante barulho do lado de fora.

O vereador Diego São Paio, muito abatido, pegou o microfone e deu palavra de apoio à manifestação. A vereadora Iza Deolinda também se manifestou. Logo em seguida surge o prefeito eleito José Luiz Nanci que, apressado, ignora a manifestação e entra para a cerimônia.

Percebendo a presença do prefeito eleito, que já estava no hall de entrada e subindo as escadas para o 2º andar, os servidores forçam a entrada para alcançá-lo já no interior do prédio. Depois de muita resistência, vencem a primeira barreira do portão. Os funcionários da Câmara correm para fechar a porta, mas foram impedidos pelos servidores que já formavam uma onda de gente forçando a entrada. Sem poder conter os trabalhadores, recuam, mas com muita truculência.

O clima fica tenso, os ânimos se acirram e era possível sentir o cheiro de medo dos convivas que desfrutavam a cerimônia no 2º andar; cheiro este que se misturava com o odor dos salgadinhos que eram fritados para servir os convidados da festa. O presidente da Câmara, Diney Marins, anfitrião e cicerone do Palácio 22 de Setembro, nome oficial da Casa Legislativa, pede reforço policial e é imediatamente atendido.

A Câmara, mesmo parcialmente, estava ocupada pelos servidores.

Sob intenso barulho no interior do prédio, o procurador-geral da Câmara, Wanderley Martins, sugere à presidente do Sindspef-SG, Rosangela Coelho, uma solução ao imbróglio instalado, levando as reivindicações do movimento aos vereadores, que receberiam uma comissão do sindicato.

Depois de muita espera por uma resposta dos parlamentares presentes ao rega-bofe, fruto da má vontade com os servidores, a paciência se esgotou e o confronto parecia inevitável com as forças de segurança que continham os trabalhadores no andar térreo.

Informado sobre a alta temperatura da manifestação, o procurador-geral apela ao vereador Prof. Paulo que intermediasse o encontro da comissão do Sindspef-SG com a comissão de vereadores. Assim, os representantes do sindicato foram recebidos pelos vereadores Marco Rodrigues, Gilson do Cefen e Prof. Paulo na sala da presidência, no 3º andar do prédio ainda com cheiro de tinta, salgadinho e medo.

Depois das platitudes características de quem 'não tá nem aí', o Sindspef-SG estabeleceu a pauta de reivindicações: 1. Intervenção dos vereadores sobre o atraso dos salários; 2. Colocação imediata dos vetos dos PLs 63 e 64 na pauta da Mesa da Diretora, para que a votação ocorra já na terça-feira, 13.

O vereador Marco Rodrigues pediu para que a Câmara fosse notificada através de ofício. Não houve garantia de absolutamente nada, nem da pauta de votação e muito menos presença dos ilustres parlamentares para se obter quórum. Já aflito, Prof. Paulo pede o fim da reunião para o descerramento da placa de inauguração da 'Casa do Povo'. Ironicamente, o que não faltou nesse dia foi povo exercendo seus plenos direitos democráticos de manifestação.

Por volta de 13:30 horas os servidores se reagrupam para uma caminhada pacífica rumo à prefeitura. A polícia militar acompanha os trabalhadores em uma faixa das ruas Dr. Francisco Portela e Feliciano Sodré, onde fica a sede do Executivo. Mais uma vez homens e mulheres sedentos de justiça adentram e ocupam o prédio com panelas em punho, apitos e palavras de ordem contra o prefeito.

A poucos quilômetros dali, nesse mesmo horário, o juiz Euclides Miranda decretava o arresto das contas da prefeitura para pagamentos dos salários de novembro a pedido do Sindspef-SG. Na decisão, foi informado que o mesmo procedimento poderá ser usado para o 13º salário caso o pagamento não seja realizado até o dia 21 de dezembro.

O recesso do Poder Judiciário não atrapalharia uma possível decretação de arresto. Agora é a Justiça que administra os pagamentos. Alívio e comemoração dos servidores.

Para encerrar o dia extenso, guerreiras e guerreiros ainda encontraram forças para realizar uma assembleia no auditório da Acesg, no Centro. O assunto não poderia ser outro: avaliação do movimento. No encontro, ainda foi rerratificado o estatuto do Sindspef-SG.

- São treze anos de luta em defesa do servidor público. E cada dia valeu a pena. Hoje a consciência da categoria pelos seus direitos aumentou. E quando isso ocorre, a necessidade de união vai junto. Estão todos de parabéns. Os servidores gonçalenses estão dando um exemplo para os outros companheiros do estado e do Brasil. Isso mostra que com organização e estratégia conseguimos as vitórias que tanto almejamos. Estou particularmente exausta, mas muito feliz. Acabou o caô, o servidor acordou - finaliza Rosangela Coelho, presidente do Sindspef-SG.

#SINDSPEFSG #PARALISAÇÃO #GREVE #ARRESTO #CÂMARADEVEREADORES #PL63 #PL64

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